Vem ai 25 mil milhões de euros. Trata-se, provavelmente, da última oportunidade para Portugal ficar mais próximo de países europeus com maiores índices de desenvolvimento.
O sector social é, mais uma vez, uma das áreas privilegiadas. Ao todo são cerca de 16 programas destinados a estes sector e dentro dele, estima-se que mais de metade das verbas sejam destinadas ao terceiro sector. Acresce que cerca de 40 por cento dos fundos vão ser geridos regionalmente e destes muitos serão também atribuídos a Instituições e entidades sociais.
Já não somos nós, quase solitariamente, que alertamos para a necessidade de alterar alguns procedimentos. O jornal “solidariedade” mostra-se preocupado com a utilização deste dinheiro, referindo que são necessários “novos conceitos” e obrigatório “pensar diferente”.
Pois é.
A Associação continua com a esperança de que o modelo de financiamento na área social altere significativamente. É necessário mais rigor e mais pragmatismo, investindo nas reais necessidades, avaliando esse investimento e medindo o desempenho, motivando os melhores e obrigando os piores e os razoáveis a acompanharem a evolução dos tempos. É fundamental perceber-se que, na área do envelhecimento temos que percorrer o caminho da prevenção que foi imposto na área materno-infantil nos remotos anos 70 e 80 e que colocou o País, nessa área, ao nível dos melhores do mundo.
Não podemos continuar a favorecer a doença e a disfuncionalidade, num modelo em que só financiamos as pessoas idosas quando já estão dependentes e que aumentamos esse benefício em função de maior dependência. É tempo de arrepiarmos caminho e por cada cama que se subsidie de uma instituição seja obrigatório apoiar financeiramente a manutenção de meia dúzia de pessoas nas suas habitações e nas suas comunidades.
E por favor, definitivamente, que atribuam uma percentagem para ser gasta obrigatoriamente na formação das pessoas que exercem actividades na área do envelhecimento. Formação ajustada e adequada e não formação para subsidiar vícios, más práticas e suspeitas de utilização indevida de fundos.