Combater a Doença Cardíaca Estrutural (SHD) e a Doença Cardiovascular relacionada com a Idade

Out 16, 2020

No dia 1 de Outubro, o presidente da Associação Amigos da Grande Idade – Inovação e Desenvolvimento Rui Fontes foi informado sobre uma mobilização europeia que apela a uma Ação Conjunta Europeia sobre Doenças Cardíacas Estruturais (SHD) e Doenças Cardiovasculares (DCV) relacionadas com a idade.

A Doença Estrutural Cardíaca (SHD) é uma condição cardiovascular ligada ao declínio funcional e estrutural do coração. Sintomas incluem falta de ar, cansaço, dificuldade de movimento, e limita as atividades diária de quem sofre destas doenças, principalmente idosos. O SHD tem sido uma área de crescente preocupação da sociedade nos últimos anos e prevê-se que representará um grande fardo para a comunidade idosa. Só em Portugal, mais de 22% da população tem mais de 65 anos e prevê-se que até 2040, meio milhão de pessoas irão ter SHD.

A pandemia COVID-19 destacou a necessidade de cuidar das populações vulneráveis, combatendo as principais causas das desigualdades na saúde (câncer e doenças cardiovasculares). Vemos também que, em toda a UE, os cidadãos exigem cada vez mais ações de saúde a nível da UE. No entanto, atualmente não existe uma iniciativa emblemática unificada para cuidar dos pacientes cardiovasculares da Europa. Isto é problemático, pois em 2050, é estimado que 23 milhões de pessoas acima de 65 anos na UE irão ter SHD. A colaboração para garantir deteção precoce, pesquisa e práticas comuns sobre Doenças Cardiovasculares (DCV) pode melhorar muito a saúde e apoiar o cuidado de idosos.

Com o envelhecimento da população e num contexto de pandemia, Portugal e a UE devem tomar medidas para garantir uma Europa saudável e resistente, dando prioridade aos cuidados de saúde e às doenças cardíacas relacionadas com a idade. Portugal tem agora uma oportunidade para fazer a diferença nesta área, através da presidência do conselho da UE, a qual irá tomar a partir de Janeiro de 2021. Ao considerar e liderar a política de saúde da UE durante a sua Presidência, Portugal tem a oportunidade de apoiar a sua própria população e todos os europeus através da colaboração europeia em doenças cardíacas estruturais.

Uma solução direta para esses grandes desafios sociais seria uma Presidência da UE centrada em pacientes cardiovasculares e promover uma Ação Conjunta Europeia sobre Doenças Cardíacas Estruturais e DCV relacionadas com a idade. É necessária esta Ação Conjunta para conceber um quadro comum de ações sobre SHD na deteção precoce e tratamento e contribuir para o envelhecimento ativo e saudável na Europa.

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Petição Pensos

Set 28, 2020

Pelo alargamento do acesso comparticipado a material de penso com ação terapêutica e materiais de compressão, a todos os cidadãos, mediante indicação clínica.

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Nova Parceria Oficial da Associação

Set 28, 2020

A Associação Amigos da Grande Idade assinou uma parceria com a Sociedade Portuguesa de Feridas.

A ELCOS  (https://www.sociedadeferidas.pt/) é uma sociedade científica, dotada de personalidade jurídica, formada por profissionais ligados às áreas da saúde, ensino e investigação, que têm como interesse comum promover o debate, a formação e a investigação no âmbito da prevenção e tratamento de feridas.

Sabendo as enormes dificuldades com que os serviços e os cuidados a pessoas idosas tem na gestão de feridas, esta parceria traz um contributo enorme para todos, fazendo com que a Associação tenha uma linha de comunicação com os especialistas desta área, partilhando-a com todos os que desejarem.

A primeira iniciativa desta parceria será a divulgação de uma petição para que o material de penso seja comparticipado. Esta petição está já a decorrer e pode ser consultada através do nosso site.

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Edital de Candidatura

Ago 10, 2020

EDITAL DE CANDIDATURA – ANO LETIVO – 2020/2021

Pós-Graduação em Gestão de equipamentos e serviços destinados a Pessoas Idosas

A Associação Amigos da Grande Idade, em parceria com a Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, anuncia a abertura da Pós-Graduação em Gestão de Equipamentos e serviços destinados a pessoas idosas 2020/2021, fazendo publicar o presente Edital

1. Fixação de vagas:

1.1. Número total de vagas para o ano letivo acima indicado: 25

2. Habilitações de acesso:

2.1. Podem candidatar-se os detentores de grau de licenciado ou equivalente legal de qualquer área, bem como profissionais que exerçam ou pretendam exercer funções em equipamentos ou serviços para pessoas idosas, independentemente da sua formação base.
2.2. A coordenação científica da Pós-Graduação, de acordo com o Conselho Científico da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, pode admitir, sob proposta do coordenador geral da Pós-Graduação, candidatos que não satisfaçam as condições referidas no número anterior, mas cujo curriculum escolar, cientifico ou profissional demonstrem adequada preparação para a frequência da Pós Graduação.

3. Critérios de seriação de candidatos

3.1. Os candidatos à matrícula serão selecionados pelo júri (Coordenação científica e coordenação geral), tendo em conta os seguintes parâmetros:
a) Curriculum académico
b) Curriculum científico
c) Curriculum profissional

4. Período de candidatura: 10 de agosto a 30 setembro 2020

5. Formalização da candidatura: A formalização da candidatura deverá ser exclusivamente feita através do endereço http://associacaoamigosdagrandeidade.com/curso/inscricao-curso/

6. Lista de documentos necessários para a formalização da candidatura: formulário de inscrição totalmente preenchido e assinado, cópia de cartão de cidadão, cortada com indicação de “utilização apenas par efeitos de candidatura a formação”, certificado de habilitações, uma fotografia tipo passe, outros documentos que o candidato considere relevantes.

7. Pagamento da candidatura: a candidatura tem o preço de 150,00 € (reembolsável em caso de não aprovação da candidatura). O pagamento deve ser feito através dos meios disponibilizados pela Associação Amigos da Grande Idade. Só serão consideradas válidas as candidaturas cujo pagamento tenha sido efetuado até ao último dia de apresentação de candidaturas.

8. Aprovação e publicação da lista de candidatos: 10 de outubro de 2020, podendo o resultado ser consultado em https://associacaoamigosdagrandeidade.com/curso/

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DRAMATIZAR REGUENGOS OU A FORMA DE ESCONDER O GATO DEIXANDO O RABO DE FORA ?

Ago 9, 2020

Os lares de idosos em Portugal são vistos pela generalidade da população como o outro lado da vida onde ninguém deseja estar.

Carregados de estigma e preconceito, tornaram-se autênticos locais de espera da morte em condições indignas.

Esta é a opinião e a ideia da maioria da população portuguesa e, retirando uns poucos que fazem da sua vida profissional a luta diária contra essa opinião, não existe qualquer ação que altere a situação.
Podíamos analisar mais profundamente as razões desta situação, mas isso demoraria certamente muito tempo, para além de existirem poderes instituídos de grandes corporações que prefere manter a situação atual do que discuti-la e transformá-la.

A comunicação social que por vezes tenta colocar na primeira linha esta discussão, não vai também muito longe, deparando com uma cortina assente num modelo caritativo e assistencialista que custa a contrariar e que até é mal visto quando se põe em causa.

Reguengos de Monsaraz saltou para as primeiras páginas ao ter registado um numero significativo de pessoas idosas infetadas com COVID 19 e com um grau de letalidade, ainda longe da evidencia cientifica mas que tenderá a aumentar com o tempo e a atingir esse numero.

Mas Reguengos de Monsaraz só serve para mais uma vez escondermos o essencial.

Para além de encerrar um problema de luta política pessoal está a fazer crer que os problemas surgidos são específicos daquela situação, escondendo a realidade nacional que é bem pior e colocando de lado questões essências que a todos deviam preocupar.

A mediatização do caso de Reguengos parece ter a ver exclusivamente pelo envolvimento de médicos.

Médicos?

Lares de Idosos e médicos são incompatíveis. Nunca na legislação portuguesa houve uma referência à existência de médicos, sua presença e funções, sua responsabilidade e envolvimento, em lares de idosos. Confrontada com a situação pela Associação Amigos da Grande Idade, a Ordem dos Médicos respondeu-nos há alguns anos que esta ausência da presença de médico em lares de idosos era bem vista pela classe, pelo menos não os envolvia no pântano que são os cuidados a pessoas idosas em lares de idosos.

Mas Reguengos começa por aí, distraindo as pessoas: o ministério publico, profundo desconhecedor e de costas sempre voltadas para as denuncias sobre lares de idosos, manda a ordem dos médicos fazer um inquérito. Estamos com certeza a brincar. A brincar com coisas sérias e com a vida das pessoas.

Quantos médicos existem em Portugal conhecedores da realidade interna de um lar de Idosos? Quantos médicos tem autoridade para auditarem lares de idosos se só lá entraram quando algum dos seus familiares esteve institucionalizado?

É certo que os médicos vão aos lares de idosos. Mas quem lá trabalha sabe como esse trabalho é feito: uma vez por semana ou uma vez por mês, prescrição às cegas de medicação. Inexistência de quaisquer registos clínicos, certidões de óbito passadas à distância por internet e nenhuma ligação a outros serviços de saúde quando de internamentos hospitalares, consultas de rotina ou outros incidentes críticos.

Mas também sabemos que a ética médica nesta área vai mais longe. Não se coíbe de fazer umas horas a prescrever medicação nos lares ilegais, que sabem que são ilegais. É esta essencialmente a ação dos médicos nos lares de idosos no modelo que desenvolvemos.

Na situação concreta de Reguengos de Monsaraz a decisão dos superiores regionais foi enviar médicos para o lar… os resultados estão hoje à vista e ainda não fizemos as contas finais.

Desidratação e doenças crónicas descompensadas, tem sido o habitual durante anos e até ao presente, configurando as “normais” práticas criminosas de maus tratos que tem sido noticiadas frequentemente e denunciadas por entidades, associações e familiares dos idosos.

No relatório é citado que faltava tudo, desde gente para cuidar e de alguém responsável que informasse os médicos das doenças que tinham e que medicações tomavam.

Na maioria dos lares, quem administra a medicação sempre foram as auxiliares e é frequente serem as mesmas ou as responsáveis dos lares, juntamente com as diretoras técnicas da área do social que preparam a medicação, não havendo nenhum controlo na administração de psicotrópicos durante o período da noite, sendo administrado pelas mesmas, não sendo possível um adequado ajuste terapêutico visto não terem qualquer tipo de conhecimento dos efeitos secundários.

Quanto ao não haver registo clínico é outra das situações comuns em instituições desta natureza, pois sendo visto erradamente, como fazendo parte do social, as questões de saúde são frequentemente negligenciadas. O que a segurança social, erradamente exige, é a anotação pelas auxiliares no “livro de ocorrências”. Processo arcaico e completamente fora de contexto para a realidade dos lares. Sendo “suficiente” para a entidade fiscalizadora, visto os incumbidos pela segurança social que normalmente efetuam as “fiscalizações”, não são dotadas dos conhecimentos necessários para a identificação das situações que colocam em risco a vida dos idosos.

Referem também que na auditoria detetaram a falta de médicos e enfermeiros. Também não detetamos nenhuma anormalidade em relação a um grande número de instituições, sendo uma das atitudes economicistas das mesmas e um enorme desconhecimento sobre envelhecimento, podendo ser evitadas com uma fiscalização competente pelas entidades fiscalizadoras.

As entidades fiscalizadoras têm perfeitamente conhecimento de que existem instituições de todo o País que não tem enfermeiro permanente, sendo também uma das lacunas da lei arcaica, em que define os rácios dos colaboradores.

Também temos conhecimento de médicos contratados por outras instituições em situações muito mais graves do que aquela que é referida, em que recusaram visitar os residentes após terem conhecimento de estarem infetados. Há casos de direções de instituições que nunca compareceram, nem participaram nos planos de contingência nem em qualquer outro tipo de apoio aos residentes e colaboradores durante a pandemia. Simplesmente não apareceram nem contribuíram para melhorar as condições e corrigir a falta de condições. Incorrendo seguindo a lei num possível crime de abandono. Tendo a diretora da segurança social tido conhecimento atempado da situação.

É abordado que segundo a lei e após conhecimento da autoridade de saúde pública local do surgimento de um surto de covid-19, deve obrigatoriamente ser visitado pelos mesmos. O que de facto também não aconteceu por outros lados. Não se registando a presença de qualquer técnico da segurança social ou entidade local para verificar pessoalmente quais as condições e se as medidas estavam a ser cumpridas.

O que depreendemos desta auditoria, é que só a palavra de um médico, após a visita ao lar de Reguengos, é tida em consideração e detrimento de enfermeiros e demais técnicos, não valorizando queixas de familiares, que ao longo dos anos tem participado uma panóplia de casos por todo o território nacional no antes e durante a pandemia. Falta também uma tomada de posição em relação aos lares ilegais que abundam, sem registo do número de idosos e das condições em que são “albergados”.

De referir que situações desta natureza, tem sido alvo de variadíssimas denúncias de familiares e da nossa associação, sendo transmitidas pelos variadíssimos órgãos de comunicação social e em que recentemente foram apresentadas imagens de vídeo que demonstram as agressões barbaras que os idosos sofrem nas instituições e que originaram a morte dos mesmos. Não se verificou até a data nenhuma auditoria digna desse nome para determinar uma situação desta gravidade e tão frequente em várias instituições. 

O que lamentamos profundamente é que esta situação não sirva para colocar em causa o modelo de intervenção e toda a organização nacional dos cuidados e serviços destinados a pessoas idosas.

Concluímos que, após centenas de mortes evitáveis, tudo ficará na mesma justificado por um ou outro caso mediatizado em que a culpa é de todos e não é de ninguém.

Devíamos ser mais sérios: todos nós.

Os jornalistas colocando em causa a forma como institucionalizamos pessoas idosas, a legislação e os poderes de corporações que só respondem perante elas.

A segurança social que deveria refletir sobre a sua ação e que em nada tem contribuído para melhores cuidados e maior dignidade no envelhecimento.

O estado porque deveria finalmente legislar melhor copiando melhores exemplos de outros países e regularizando o que se faz nesta área sem compromissos com o sector social e preconceitos com o sector privado.

As ordens especialmente dos enfermeiros e dos médicos exigindo maior ética aos profissionais que representa não permitindo a sua ação desajustada e irresponsável nos lares de idosos e dando especial penalização a quem exerce a profissão em locais ilegais e sombrios.

As famílias que não devem continuar a temer represálias e tem a obrigação de denunciar as situações.

O ministério publico que deve levar mais a sério as denuncias que recebe de maus tratos e más práticas.

As provedorias de justiça e de defesa de idosos cujo papel é apenas fazer correr uma notícia anual nos órgãos de comunicação para nos lembrarmos que existem.

Os auditores que não se lembram de colocar como primeira justificação a incidentes do género de Reguengos de Monsaraz o não cumprimento da legislação que obriga a formação continua dos profissionais e que se perdem em problemas que estão a meio da pirâmide de maslow e não na sua base.

A Associação Amigos da Grande Idade advoga uma reflexão nacional e um programa de emergência (não mais um programa de emergência, mas um novo e renovado e inovador programa de emergência) para o envelhecimento em Portugal que inclua a analise profunda de:

1. Rede nacional de apoio ao envelhecimento que inclua cuidados de saúde primários, serviços de várias tipologias de permanência ou não para as pessoas idosas (centros de dia, cuidados domiciliários, cuidados continuados de longa duração, saúde mental, unidades de funcionalidade, lares de idosos e cuidados paliativos) e serviços hospitalares integrados, com liderança nacional e única.

2. Alteração do modelo de financiamento tornando equitativo e racional sem protecionismo a corporações e sem motivação para a disfuncionalidade.

3. Programa nacional de formação especifica para auxiliares, técnicos de diversas áreas, gestores, líderes de organizações.

4. Liderança regional e constituição de equipas regionais multidisciplinares.

5. Programa nacional de combate à ilegalidade e à exploração não licenciada de serviços.

As soluções existem, devendo apenas ser refletidas e discutidas. Mas há quem não queira sequer ouvir falar nelas, continuando com o discurso miserabilista da caridade e do assistencialismo.

A Associação Amigos da Grande Idade já sabe que poucos darão importância a esta comunicação o que nos prova que poucos se importam com o envelhecimento das pessoas mais queridas da família e com o seu próprio envelhecimento. É pena e lamentável, mas cada um fica com a sua consciência que continua a pactuar com a autênticas casas de morte que temos espalhadas por este país todo. O COVID 19 é só um alerta. O pior virá, com certeza.

Lisboa, 9 de Agosto de 2020
Direção da Associação Amigos da Grande Idade
Núcleo da AAGI Valpaços

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ASSOCIAÇÃO APOIA INSTITUIÇÕES E ENTIDADES

Jul 14, 2020

A Associação Amigos da Grande Idade percebendo a intranquilidade de muitos dos seus amigos e colaboradores directores técnicos e gestores de várias entidades no que respeita à falta de equipamentos de protecção individual e prevendo que a situação possa vir a agravar-se, conseguiu um acordo/parceria com empresa de importação que garante o fornecimento dos principais meios de protecção a valores inferiores aos praticados até agora no mercado.

No sentido de facilitarmos e beneficiarmos o sector do envelhecimento institucionalizado colocamos à disposição esses equipamentos com os custos que foram acordados com a Associação.

Enviamos listagem de material, destacando o valor de mascaras.

Os interessados em fazerem encomendas podem fazê-lo através do endereço electrónico da Associação, associacaoamigosdagrandeidade@gmail.com, ou pelos telefones 96 728 59 09 e 91 501 38 53, bastando indicar o nome (empresa ou individual), numero de contribuinte e morada e local de entrega se diferente de morada fiscal. O prazo de entrega será de 24 a 48 horas, qualquer que seja a encomenda.

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PONTO DA SITUAÇÃO

Abr 27, 2020

 

 

27 DE ABRIL 2020

 

 

1. Conforme afirmado há mais de um mês pela Associação Amigos da Grande Idade é grande prioridade do combate ao COVID 19 deveria ter-se centrado nos lares de Idosos. Não o foi e hoje deparamos com mais de 40% dos falecimentos ocorreram em lares de idosos. Esta percentagem tende em aumentar muito, podendo chegar-se a números que vão chocar toda a sociedade.

2. Como se percebe a estratégia para os lares de idosos é de grande desorientação, não se conseguindo um planeamento nacional com acções preventivas. A estratégia tem sido desenhada por resposta a ocorrências que vão surgindo, que se vão tornando evidentes e publicas através da comunicação social. Começou-se pelas tendas e pela dificuldade em definir quem devia ser transferido. Primeiro transferiram-se pessoas infectadas e depois, correctamente, pessoas não infectadas. Depois passámos aos testes. Iniciaram-se em zonas em que o COVID apresentava números menores (Alentejo e Algarve) e pelos residentes de lares. Agora e correctamente parece que se vão iniciar aos trabalhadores de lares, únicos agentes há quatro semanas para cá que, de facto, podem transmitir o vírus, dada proibição de visitas. Ainda mais recentemente lá vieram as preocupações com o confinamento e as visitas, ainda não havendo decisões sobre esse problema.

3. A desorientação é de facto muito grande e ainda que possa ser justificada em parte pelo inesperado da situação, não deve deixar-se de pedir responsabilidades a quem detém conhecimento total da situação e autoridade nacional para resolver problemas. Um dos exemplos é a última medida que envolve os centros de saúde e a sua potencial necessidade de intervirem nos lares. Ora a Associação propôs intervenção nos lares ilegais e não julga essencial a intervenção em lares licenciados que tem a obrigação de ter enfermeiro e que habitualmente tem médico (ainda que a legislação não obrigue a isso). Mas é do conhecimento de todos os técnicos de lares que os centros de saúde nunca estiveram vocacionados para esta intervenção, sendo mesmo difícil o seu apoio quando os lares o requisitam, escondendo-se em incapacidade de recursos humanos e em legislação apropriada. Ora agora à pressa e em mais uma acção de marketing vem dizer-nos que os centros de saúde vão intervir em lares. Mas que lares? Em que áreas?

4. Ficamos também admirados com a notícia da impossibilidade de enfermeiros do SNS acumularem funções em lares de Idosos e perguntamos; o SNS paga exclusividade aos enfermeiros? Então os mesmos não podem desenvolver a sua actividade paralela onde desejam através de recibo verde ou de outra forma de contratação? Podem os médicos? Ou será que tal notícia é para justificar as falhas das instituições sociais no que respeita à existência de enfermeiros sabendo-se que grande parte delas não cumpre os rácios que se encontram na legislação. Será que agora vão dizer que não os cumprem porque os enfermeiros são proibidos de trabalhar nas IPSS?. Já assistimos a justificações mais sérias e não entendemos este alerta nesta situação especial.

5. Há conclusões que já devem ser tiradas:

a) Necessidade urgente de análise e alteração significativa da legislação dos lares;
b) Repensar sobre a autoridade, coordenação, fiscalização e regulação dos lares integrando a área da saúde que deve complementar ou mesmo substituir a área social nos actuais lares com o modelo que tem e que dão resposta especialmente a pessoas doentes. Criar outras tipologias que dêem resposta a pessoas exclusivamente com problemas sociais ou de opção de vida colectiva,
c) Alertar modelo de comparticipação tratando lares sociais e lares privados de forma igual.
d) Alterar o modelo de intervenção previsto para os lares.
e) Integrar nesta análise e alteração a rede nacional de cuidados continuados que, como se está a verificar, foi completamente anulada neste processo COVID 19

6. E há preocupações que continuamos a manter e que continuam a ser esquecidas pelas entidades por falta de coragem e também de rigor. Trata-se dos lares não licenciados. Começamos a receber noticias, não confirmadas, nunca confirmadas, de mortes em lares não licenciados que passa, ao lado de qualquer registo ou controle. Existem cerca de 3000 lares não licenciados onde se encontram perto de 50.000 pessoas idosas. E nada se faz? As entidades oficiais dizem que desconhecem o que não é legal e defendem especialmente a segurança social que será confrontada com o facto de estes lares existirem sem que tenham intervido. No interior dos lares não licenciados vive-se um drama: não se expõem porque acabam com o seu negócio não licenciado, tem receio de sofrer represálias e vão escondendo a realidade.

7. A Associação reflecte: se a percentagem dos falecidos é tão elevada para os lares licenciados, não existindo registo de falecimentos em lares não licenciados, então será melhor passarmos a ter lares não licenciados. É, pelos vistos onde não morre ninguém. Mesmo sabendo que em quartos onde devem estar duas pessoas, estão seis, que não existem mais de uma ou duas auxiliares para cuidarem de 20 e 30 pessoas, incluindo fazer a alimentação e a limpeza do lar, que estas pessoas fazem as refeições nos cadeirões em cima umas das outras, que não existem quaisquer circuitos de lixos, de limpos e de sujos, que muitas vezes não tem enfermeiros durante semanas, que o estado de nutrição das pessoas passa por jantar de um pão com manteiga e uma caneca de leite com café, etc.

8. É pois fundamental a entrada nestes lares e a Associação propôs há muito tempo que esta intervenção deveria ser liderada pela autarquia local que constituía equipa de observação e depois de listar todos os lares nestas situações na sua região, visitava-os com autoridade policial e forçando entrada com justificação pelo estado de emergência, registando as pessoas que lá vivem, a sua situação, o numero de mortos já ocorrido e aplicando testes o mais rapidamente possível. Aqui justificava-se a intervenção dos centros de saúde de imediato, liderando as intervenções. Isto será salvar vidas que é o que necessitamos. As consequências logo serão tiradas. É urgente, é obrigatório, é uma responsabilidade nacional e todos seremos coniventes quando depararmos com mortes evitáveis nestas unidades.

A Associação não quer ter razão nem ficará feliz com isso. Mas tem alertado para várias situações que se veem a concretizar.

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