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PONTO DA SITUAÇÃO

Abr 27, 2020

 

 

27 DE ABRIL 2020

 

 

1. Conforme afirmado há mais de um mês pela Associação Amigos da Grande Idade é grande prioridade do combate ao COVID 19 deveria ter-se centrado nos lares de Idosos. Não o foi e hoje deparamos com mais de 40% dos falecimentos ocorreram em lares de idosos. Esta percentagem tende em aumentar muito, podendo chegar-se a números que vão chocar toda a sociedade.

2. Como se percebe a estratégia para os lares de idosos é de grande desorientação, não se conseguindo um planeamento nacional com acções preventivas. A estratégia tem sido desenhada por resposta a ocorrências que vão surgindo, que se vão tornando evidentes e publicas através da comunicação social. Começou-se pelas tendas e pela dificuldade em definir quem devia ser transferido. Primeiro transferiram-se pessoas infectadas e depois, correctamente, pessoas não infectadas. Depois passámos aos testes. Iniciaram-se em zonas em que o COVID apresentava números menores (Alentejo e Algarve) e pelos residentes de lares. Agora e correctamente parece que se vão iniciar aos trabalhadores de lares, únicos agentes há quatro semanas para cá que, de facto, podem transmitir o vírus, dada proibição de visitas. Ainda mais recentemente lá vieram as preocupações com o confinamento e as visitas, ainda não havendo decisões sobre esse problema.

3. A desorientação é de facto muito grande e ainda que possa ser justificada em parte pelo inesperado da situação, não deve deixar-se de pedir responsabilidades a quem detém conhecimento total da situação e autoridade nacional para resolver problemas. Um dos exemplos é a última medida que envolve os centros de saúde e a sua potencial necessidade de intervirem nos lares. Ora a Associação propôs intervenção nos lares ilegais e não julga essencial a intervenção em lares licenciados que tem a obrigação de ter enfermeiro e que habitualmente tem médico (ainda que a legislação não obrigue a isso). Mas é do conhecimento de todos os técnicos de lares que os centros de saúde nunca estiveram vocacionados para esta intervenção, sendo mesmo difícil o seu apoio quando os lares o requisitam, escondendo-se em incapacidade de recursos humanos e em legislação apropriada. Ora agora à pressa e em mais uma acção de marketing vem dizer-nos que os centros de saúde vão intervir em lares. Mas que lares? Em que áreas?

4. Ficamos também admirados com a notícia da impossibilidade de enfermeiros do SNS acumularem funções em lares de Idosos e perguntamos; o SNS paga exclusividade aos enfermeiros? Então os mesmos não podem desenvolver a sua actividade paralela onde desejam através de recibo verde ou de outra forma de contratação? Podem os médicos? Ou será que tal notícia é para justificar as falhas das instituições sociais no que respeita à existência de enfermeiros sabendo-se que grande parte delas não cumpre os rácios que se encontram na legislação. Será que agora vão dizer que não os cumprem porque os enfermeiros são proibidos de trabalhar nas IPSS?. Já assistimos a justificações mais sérias e não entendemos este alerta nesta situação especial.

5. Há conclusões que já devem ser tiradas:

a) Necessidade urgente de análise e alteração significativa da legislação dos lares;
b) Repensar sobre a autoridade, coordenação, fiscalização e regulação dos lares integrando a área da saúde que deve complementar ou mesmo substituir a área social nos actuais lares com o modelo que tem e que dão resposta especialmente a pessoas doentes. Criar outras tipologias que dêem resposta a pessoas exclusivamente com problemas sociais ou de opção de vida colectiva,
c) Alertar modelo de comparticipação tratando lares sociais e lares privados de forma igual.
d) Alterar o modelo de intervenção previsto para os lares.
e) Integrar nesta análise e alteração a rede nacional de cuidados continuados que, como se está a verificar, foi completamente anulada neste processo COVID 19

6. E há preocupações que continuamos a manter e que continuam a ser esquecidas pelas entidades por falta de coragem e também de rigor. Trata-se dos lares não licenciados. Começamos a receber noticias, não confirmadas, nunca confirmadas, de mortes em lares não licenciados que passa, ao lado de qualquer registo ou controle. Existem cerca de 3000 lares não licenciados onde se encontram perto de 50.000 pessoas idosas. E nada se faz? As entidades oficiais dizem que desconhecem o que não é legal e defendem especialmente a segurança social que será confrontada com o facto de estes lares existirem sem que tenham intervido. No interior dos lares não licenciados vive-se um drama: não se expõem porque acabam com o seu negócio não licenciado, tem receio de sofrer represálias e vão escondendo a realidade.

7. A Associação reflecte: se a percentagem dos falecidos é tão elevada para os lares licenciados, não existindo registo de falecimentos em lares não licenciados, então será melhor passarmos a ter lares não licenciados. É, pelos vistos onde não morre ninguém. Mesmo sabendo que em quartos onde devem estar duas pessoas, estão seis, que não existem mais de uma ou duas auxiliares para cuidarem de 20 e 30 pessoas, incluindo fazer a alimentação e a limpeza do lar, que estas pessoas fazem as refeições nos cadeirões em cima umas das outras, que não existem quaisquer circuitos de lixos, de limpos e de sujos, que muitas vezes não tem enfermeiros durante semanas, que o estado de nutrição das pessoas passa por jantar de um pão com manteiga e uma caneca de leite com café, etc.

8. É pois fundamental a entrada nestes lares e a Associação propôs há muito tempo que esta intervenção deveria ser liderada pela autarquia local que constituía equipa de observação e depois de listar todos os lares nestas situações na sua região, visitava-os com autoridade policial e forçando entrada com justificação pelo estado de emergência, registando as pessoas que lá vivem, a sua situação, o numero de mortos já ocorrido e aplicando testes o mais rapidamente possível. Aqui justificava-se a intervenção dos centros de saúde de imediato, liderando as intervenções. Isto será salvar vidas que é o que necessitamos. As consequências logo serão tiradas. É urgente, é obrigatório, é uma responsabilidade nacional e todos seremos coniventes quando depararmos com mortes evitáveis nestas unidades.

A Associação não quer ter razão nem ficará feliz com isso. Mas tem alertado para várias situações que se veem a concretizar.

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COVID 19 – VISITAS DE FAMILIARES AOS LARES DE IDOSOS

Abr 22, 2020

PARA QUANDO A ALTERAÇÃO DA PROIBIÇÃO ?

A Associação Amigos da Grande Idade (www.associacaoamigosdagrandeidade,com) mantem grandes preocupações com a situação dos lares de idosos em Portugal, não podendo deixar de observar que as posições que foram sendo tomadas desde o início deste problema têm sido comprovadas no terreno e felizmente adoptadas pelos organismos e entidades nacionais.

Assumimos de imediato que esta pandemia ia penalizar especialmente as pessoas idosas e muito especificamente as institucionalizadas. Falámos em números de letalidade que felizmente não estão a ser provados mas continuamos a julgar que se não forem tomadas ainda algumas medidas podemos vir a chegar a esses números, que nos indicam letalidade de 50% das pessoas idosas institucionalizadas. Propusemos que fossem encontrados locais para transferência de pessoas idosas imediatamente, após sintomas de COVID, numa primeira fase, e na segunda fase transferência de pessoas que não estivessem infectadas mantendo as pessoas infectadas nos locais onde estavam que já eram locais infectados. Alguns casos pontuais tomaram essa feliz decisão, noutros ainda andamos a deslocar pessoas infectadas deixando para trás outras pessoas nos locais onde as primeiras infectaram. Está errado e vamos pagar as consequências desse erro.

Batemo-nos pela intervenção de técnicos e autoridades exteriores nos lares onde existisse infecção e, em muitos casos, isso foi feito. Alertámos para as dificuldades dos lares, a sua incapacidade em cumprir normas feitas em cima do joelho e a impossibilidade de constituir equipas em espelho e de, de um momento para o outro, tratarmos os lares como unidades de saúde. Continuamos ainda a lutar pela realização de teste em todos os lares e muito especialmente nos que não apresentam pessoas com sintomas, prevenindo a entrada do vírus que só pode chegar do exterior, sendo pois necessário testar todos os trabalhadores dos lares com a máxima urgência. Insiste-se em testar quando há sintomas que é o mesmo que testar o que está aparentemente testado.

Mas hoje a Associação já tem outras preocupações que devem levar a um debate aberto nacional sem constrangimentos e sem receios do politicamente incorrecto. Trata-se da proibição das visitas aos lares e da manutenção desta regra de forma dura e inflexível.

Ora quem trabalha em lares de idosos já sente hoje as tremendas dificuldades que esta situação promove. A angústia, o sofrimento, a ansiedade e a falta de entendimento desta proibição é violenta para os residentes dos nossos lares. Muito violenta. E começam a surgir sinais de algum descontrolo de situações em consequência deste estado que foi necessario e correctamente criado.

Contudo, não querendo defender a liberalização total das visitas dos familiares aos residentes de lares e entendendo a necessidade de continuarem a existir contenções, não podemos aceitar que ninguém pense em atenuar este problema. Todos nós, que trabalhamos em lares temos essa obrigação. Como vamos resolver esta situação atendendo a que as mais optimistas noticias que temos é o Exmo. Senhor Presidente da Republica a “atirar” para o verão de 2021 a possibilidade de um regresso à normalidade. Vamos ter contenção de visitas em lares até ao verão de 2021? Ou até mesmo ao verão de 2020? Proibição total de visitas?

A Associação Amigos da Grande Idade vai promover um debate sobre este problema, chamando a si as opiniões de centenas de colaboradores, de ex-formandos e actuais alunos da Pós Graduação e abrindo o debate a toda a população em geral, apelando a que todos possam contribuir para soluções que temos a obrigação em encontrar em defesa das pessoas idosas institucionalizadas cuja vida muito depende de decisões a tomar.

Queremos assumir com naturalidade que não podemos continuar a justificar aos nossos residentes, diariamente que não podem ver os filhos e os netos porque há uma grande infecção no País. Estamos a falar de pessoas entre os 80 e 100 anos, muitas delas com as suas capacidades cognitivas deterioradas que não nos entendem. Podemos dizer que as chamadas de vídeo e a criatividade em encontrar formas de contacto à distância que temos conseguido são o bastante. Mas não são. Há residentes que já não querem falar ao telefone e não entendem porque o filho não aparece. Há residentes que nem se revêem e nem revêem ninguém nessas chamadas de video.

Em tom, de choque para libertar opiniões e consciências parafraseamos um conhecido provérbio português: ANTES A MORTE QUE TAL SORTE.

As opiniões devem ser enviadas para associacaoamigosdagrandeidade@gmail.com ou através da página https://www.facebook.com/aagi.portugal/ no facebook.

Ficamos a aguardar com esperança o envio de opinião e propostas de solução.

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INFEÇÃO POR COVID 19

Mar 31, 2020

 

 

PEDIDO DE CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIA NACIONAL PARA GESTÃO DA CRISE EM LARES DE IDOSOS

PROPOSTAS DE MEDIDAS

 

ENQUADRAMENTO

A infeção por COVID-19 veio mostrar um conjunto de fragilidades ao nível das políticas seguidas nas últimas décadas para a população idosa, negligenciada na abordagem da sociedade, que não acolhe e protege o seu maior capital de investimento, o conhecimento das pessoas com mais anos de vida.
Como podemos perceber anteriormente, não estamos preparados para fazer face à infeção por COVID19 em Lares de Idosos, devido à sua letalidade que em termos internacionais é de cerca de 50%.
Os modelos seguidos até aqui, por parte das autoridades de saúde nacionais, têm-se mostrado pouco sustentado, pouco alicerçado na realidade há muito vivida noutros países, nomeadamente no EUA, Espanha e Itália.
Numa perspetiva de cuidado da sociedade, respeito pela vida humana e acima de tudo o respeito pela dignidade dos valores éticos e morais de toda uma sociedade é pedido neste documento que se encare o problema acumulado ao longo de décadas, da criação de reservatórios de baixo custo por parte do estado de idosos, numa oportunidade de pouco cuidado da sociedade, com as pessoas de maior vulnerabilidade e desprotegidas.
A presente infeção por COVIDE 19, atirou a responsabilidade para os gestores e colaboradores, das instituições mencionadas em epigrafe, da gestão desta crise, numa clara e absurda desresponsabilização das instituições publicas, dos decisores políticos, apenas elevando a discussão de circunstância temerosamente infame e humanamente reprovável, sobre quais os critérios que vamos utilizar para ventilar pessoas nos próximos tempos, onde de resto os idosos não farão parte.
Estas instituições, quer sociais, privadas ou outras têm lutado contra a crescente desresponsabilização do estado, face ao acumular de pessoas com difíceis de autocuidado, difíceis funcionais cada vez mais elevado, onde se somam as comorbidades associadas como sendo a hipertensão, a doença cardíaca, a doença renal, a diabetes, a obesidade e/ou doença pulmonar, em cada vez maior número, em instituições de baixo custo.
Não dotámos estas organizações do necessário aumento das necessidades de prestadores, prestadores qualificados ao nível da saúde, em qualificações e em número suficiente, tendo-se revertido com a infeção por COVID19, numa tragédia nacional, há muito propalada.
O nosso prestigiado José Saramago fundamentou uma espécie de Ensaio sobre a Cegueira (1995), que narra a história da epidemia da cegueira branca que se espalha por uma cidade, causando um grande colapso na vida das pessoas e abalando as estruturas sociais (EC, 1995). Reler este prestigiado Autor não poderia deixar de ser uma mais valia para os dias de hoje. No entanto, a cegueira tem, neste pedido, contornos nacionais, na refundação do futuro da nação, em termos de estratégia nacional para os cuidados às pessoas idosas.
Não obstante à problemática em curso nos Lares legais de idosos, apercebemo-nos do que podemos apelidar, do sofrimento silencioso e amargo, das pessoas que estão a ser cuidadas em Lares de Idosos sem alvará, ou ilegais. Não é apenas uma nuance, segundo dados recentes teremos cerca de 94.000 pessoas em lares com alvará e cerca de 35.000 pessoas em lares sem alvará, os números são astronómicos. A problemática dos mais vulneráveis na sociedade, reverte-se de importância elevada, pois serão os idosos sem abrigo nos lares com alvará, por questões de abandono familiar, falta de consciência humana dos proprietários, dos profissionais, ou da conivência de outras instituições publicas, que militam, numa angústia cada vez maior na insistência de processos de adequação que duram décadas.
A Associação amigos da Grande Idade, vem agradecer e considerar o esforço da Comunicação Social, como um incremento valioso, prestigiado e de grande interesse nacional, deste modo aplaude de pé, o seu contributo anterior e futuro para esta causa maior na nossa sociedade.

ENQUADRAMENTO DO PROBLEMA

Espanha, nem bons ventos nem bons cuidados a idosos, foi amplamente noticiado a profunda angústia humana, com a descoberta de cadáveres em Lares de Idosos, por Militares, que jaziam a aguardar o transporte, junto de outros idosos vivos, por alegada inabilidade da consciência animalesca dos seus dirigentes e responsáveis locais.
No EUA, observamos os vários comunicados descritos na Nursing Home Life Care Center of Kirkland, Centers for Disease Control and Prevention (2020), e em várias fontes de informação onde foi possível extrair dados sobre as dinâmicas e fatos mensuráveis ao longo de trinta dias. Esta instituição tinha a 19 de fevereiro, no seu quadro de pessoas 180 funcionários e 120 residentes. A idade média dos residentes que apresentaram resultado positivo para COVID-19 foi de 81 anos e dos colaboradores foi entre 42,5 e 62 anos. Após análise dos dados recolhidos constatamos que 65,1% das pessoas idosas a quem foi diagnosticada a infeção por COVID-19 são do sexo feminino. Ao fim de 20 dias do primeiro caso identificado, mais de metade (56,8%) dos residentes apresentaram resultado positivo para o coronavírus e foram hospitalizados, ao fim de 30 dias, a taxa de letalidade rondava os 50%.
É, pois, neste ambiente que postulamos a nossa própria insuficiência, como forma de tentarmos usar meios de proteção para não contribuirmos, para a epidemia de cegueira que se espalha pelo país, num colapso na vida das pessoas idosas em Lares e dos seus próprios dirigentes e demais colaboradores.
Tomando consciência de que neste momento nos Lares de Idosos existe de forma dramática, o risco de aumento de óbitos e do sofrimento, com as causas bem identificadas como sendo: Falta de material de Proteção Individual em Lares de Idosos; Desconhecimento na utilização deste material de proteção individual por parte dos Profissionais; Falta de diagnóstico em termos de triagem de sintomas; Falta de desenvolvimento de testes individuais; Número de profissionais insuficientes; e Abandono precoce dos vínculos laborais destes profissionais. Propomos a criação da estratégia nacional seguinte.

MEDIDAS PROPOSTAS MEDIDAS PARA DIMINUIR O RISCO DESCRITO

1. Criação de grupos de trabalho concelhios monitorizados nacionalmente, para implementação de medidas de apoio, proteção e gestão de crise em cada município.
2. Criação no prazo de uma semana de locais com reserva de camas, de 50% da capacidade concelhias em lares de idosos, para internamento de pessoas idosas, provenientes de lares de idosos, com infeção de COVID19.
3. Retirada das pessoas idosas com COVID19 dos lares de idosos, para proteção e tratamento no período de quarentena.
4. Implementação de normativos por parte da DGS, com o controle dos grupos concelhios, para implementação de estratégias de controle de infeção, como a implementação de circuitos de limpos e circuitos de sujos, circuitos de roupa, medicação, alimentação, consumíveis, fardamento, etc.
5. Fornecimento de forma imediata, de forma gratuita, de equipamentos de proteção individual, como máscaras, batas e outro material de proteção, de forma permanente e sempre que solicitado por estas instituições.
6. Monitoramento constante de sintomas dos residentes, por parte dos ADC-Comunidade, dos cuidados de saúde primários, recentemente criados, dedicação de profissionais destacados, para monitoramento dos lares de idosos.
7. Testagem e triagem ativa para COVID 19, das pessoas idosas a residir em Lares de Idosos.
8. Testagem e triagem ativa para COVID 19, dos profissionais em Lares de Idosos.
9. Desinfeção das áreas conexas exteriores e interiores, segundo normativo internacional.
10. Aumento da comparticipação estatal dos valores para Lares de Idosos, durante o estado de emergência, para fazer face ao aumento dos custos e a diminuição do risco do aumento do sofrimento e óbitos.
11. Comparticipação gratuita de testes diagnostico para residentes e profissionais.
12. Nos lares não licenciados e ainda sem processo de monitorização da Segurança Social, a identificação da sua geolocalização, com recurso ao apoio da GNR, PSP, proteção civil e militares do exército, para monitorização de sintomas, testagem de idosos, colaboradores para a infeção por COVID19. Introdução no circuito acima proposto, com transferência posterior dos idosos, para os lares com alvará, depois desta crise.
13. Controle dos lares não licenciados por parte das forças militares, até ao seu fecho.
14. O encerramento imediato, sem recurso de condição, com o fim do estado de emergência e a criação de uma moldura penal equivalente ao crime de homicídio por neglicência, para proprietário.

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ANÁLISE DE ESTUDO DE CASO EM UNIDADE RESIDENCIAL NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Mar 26, 2020

Este estudo é feito com base exclusivamente na informação que foi disponibilizada e que não é total, na medida em que a própria entidade ou entidades reguladoras reservam informação com o objectivo de combaterem o alarmismo.

 

 

 

Dia 0: 19 de Fevereiro
Aparece o primeiro infectado com teste positivo ao COVIN 19

Dia 8: 27 de Fevereiro
Diminuem dois residentes sem informação de causa!

Dia 9: 28 Fevereiro
48 Trabalhadores são enviados para casa
É registada a primeira morte

Dia 15: 5 de Março
Registam-se 13 mortes

Dia 16: 6 de Março
50 Residentes são transferidos para Hospital
32 Trabalhadores são enviados para casa
Falecimentos aumentam para 19

Dia 21: 12 de Março
Falecimentos aumentam para 25

EVIDENCIA:
Num período de um mês (até serem fornecidos dados) em 140 residentes de um lar, temos 33 mortos e 66 transferidos para Hospital não se sabendo o que aconteceu. O Lar está reduzido ao fim de 29 dias a 42 residentes. Tinha 140 residentes!
Os trabalhadores, ao fim de 29 dias estão reduzidos a 100. Tinha 180 trabalhadores!

Desde logo permite-nos concluir:
1. Qualquer suspeita deve ser imediatamente testada (se possível fora do lar);

2. Qualquer caso positivo deve abandonar o lar o mais rapidamente possível, ficando todos os outros em isolamento com medidas de protecção individual pesadas.

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EMERGÊNCIA MUNDIAL: DRAMA NOS LARES DE IDOSOS

Mar 26, 2020

24-3-2020; 16.11 HORAS

A Associação Amigos da Grande Idade, envia o gráfico do primeiro estudo de caso a nível mundial num Lar de Idosos nos Estados Unidos da América. Este gráfico vem confirmar as piores expectativas da Associação em relação aos lares de Idosos em Portugal.

É urgente fazer testes nos lares de idosos o mais rapidamente possível para evitarmos aquilo que consideramos uma catástrofe nacional. Não tinhamos até agora evidencia cientifica, mas com este estudo de caso verificamos que, mesmo com as melhores práticas e os maiores meios vamos ter uma situação incontrolável.

Este trabalho está ser liderado pelo Professor Doutor César Fonseca e apoiado pelo professor Doutor António Ilhicas(vice presidente da Associação) e Dr. Rui Fontes (Presidente da Associação).
Neste momento começámos a trabalhar numa projecção muito optimista para os lares em Portugal onde existem mais de 90.000 camas.

Repetimos que é urgente iniciar testes nos lares de idosos e actuarmos rapidamente na orientação de transferências e cuidados nessas entidades.

Gostaríamos de estar errados. Seria mesmo uma imensa alegria. Contudo podemos vir a estar certos e a evidência deste estudo de caso vem nesse sentido.

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LARES DE IDOSOS SEM ALVARÁ : O DRAMA ESCONDIDO

Mar 26, 2020

26-03-2020. 13.30 HORAS
A Associação Amigos da Grande Idade vem chamar a atenção a todas as autoridades públicas pela situação dos lares que não tem alvará e não se encontram registados na carta social e na entidade reguladora.
Esse conjunto de lares de idosos e casas de acolhimento podem estar ou vão estar a passar por uma gravíssima situação.
Em primeiro lugar não vão divulgar a situação dos seus residentes em fases iniciais e, esperemos que seja só nestas fases, dados que não sendo entidades legalizadas não tem organismos a quem recorrer. Em segundo lugar as suas condições de funcionamento contrariam todas as regras mínimas de protecção.
Acresce que temos informação de profissionais de saúde e sociais (enfermeiros, médicos, assistentes sociais) que abandonaram esses lares de idosos para não assumirem responsabilidades em situações de ilegalidade.
Também os familiares, não tem interesse em mostrar-se disponíveis para retirar desses lares de idosos as pessoas mais velhas, não tendo solução alternativa.
Prevemos assim um quadro profundamente dramático nestes lares de Idosos.
A Associação apela à consciência das entidades para determinar rapidamente alguns procedimentos que deviam passar por:

1. Requisição da GNR e Protecção civil para entrarem dentro desses lares e fazerem um registo de situação de cada um deles, de formaa prevenir ou a intervir o mais rapidamente possível quando se justificar;

2. Determinar procedimento não penalizante e fiscalizador mas pedagógico e de influência a mudanças de práticas e activação de colaboração com os donos desses lares.

Pela urgência deste assunto, enviamos comunicação a V. Exlas., no sentido de alertar para um problema que todos remos a obrigação de resolver. As pessoas idosas não escolherem estes lares e não tem responsabilidade sobre o processo de legalidade ou ilegalidade.

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COMO PODEMOS REAGIR?

Mar 24, 2020

Neste tempo imprevisível com um vírus incontrolável a determinar os nossos procedimentos e as nossas vidas, distinguem-se algumas pessoas e poucas entidades que contribuem para responder a situações que nunca foram vividas.
Os lares de idosos tornaram-se um gravíssimo problema de saúde pública, na medida em que é inevitável a infecção de pessoas que se encontram ou trabalham nesses locais. Gravíssimos porque se conhecem as percentagens de óbitos na população com mais de 80 anos.
Os Directores Técnicos com competência e capacidade de liderança, dos lares de idosos vivem dois comportamentos diferentes: um, no qual não podem dramatizar a situação junto das pessoas idosas, porque a depressão e ansiedade dessas pessoas já é muito elevada e não deve ser aumentada. Outro, porque tem consciência da sua incapacidade de combater este cruel vírus e sabem que muitos dos seus residentes não vão sobreviver.
Vivem ainda um perfeito isolamento na maior parte dos casos, na medida em que os que ontem queriam mandar e sobrepor-se sobre eles, sem qualquer capacidade científica e técnica, fugiram e vão fugir ainda mais. Agora a responsabilidade total passou para os directores técnicos e para os enfermeiros. Durante o ano são os gerentes, os provedores, os presidentes das instituições que têm o mau procedimento de pensarem que sabem alguma coisa de idosos, de saúde e de lares.
É pois dramática a situação de directores técnicos de lares conscientes e competentes. Veem-se perante algo que não conseguem resolver, sabendo que é uma questão de dias até o “bicho” entrar no lar.
Pior é a falta de meios. Quando, durante anos, pediram mascaras, luvas, aventais, toucas, produtos desinfectantes cientificamente acreditados, formação para o pessoal e implementação de protocolos, os “donos” dos lares privados e sociais argumentavam sempre com a falta de dinheiro e a mania dos licenciados que pensam saber tudo.
Agora fugiram para casa e mandam mensagens a dizer para pedir esse material a empresas que não o tem e que nunca pensaram que esses lares os consumissem, não lhes podendo dar prioridade nos seus fornecimentos.

Mas é obrigatório lutar, É obrigatório distinguirem-se como directores técnicos mas acima de tudo como líderes de entidades e instituições para as quais trabalham.
Os problemas que estão diagnosticados são essencialmente:
1. Falta de recursos humanos pela incapacidade de saúde de alguns e pela Impossibilidade de sair de casa de muitos. As equipas estão reduzidas a menos de metade em centenas de situações e não se deve insistir nem um segundo para que uma trabalhadora mantenha o trabalho se tossiu, tem queixas de cansaço, teve um pouco de febre ou simplesmente tem que contactar na sua vida particular com espaços e/ou pessoas que podem ser consideradas portadores ou potenciais portadores. Requer-se pois um questionário individual muito rigoroso a cada um dos nossos trabalhadores para perceber o seu grau de risco e tentar diminui-lo ou atenuálo. Mais que isso deve-se reduzir as trocas de turnos e assim as entradas e saídas do Lar, conseguindo que a equipa entenda que neste momento não são simplesmente trabalhadores mas heróis nacionais dos quais se espera comportamentos patrióticos que devem ultrapassar as suas conveniências pessoais.
No fim faremos contas e julga-se que a disponibilidade, o sentido de responsabilidade e a solidariedade serão devidamente compensados. Assim os horários devem ser alterados e conseguir-se no mínimo uma única rendição de turno por dia, implementando turnos de 12 horas a render às 8 e às 20 horas, sendo que o ideal seria render uma única vez por dia com turnos de 24 horas quatro em quatro dias.

2. Falta de formação e actualmente de informação dos colaboradores. A informação tem sido muita mas não parece eficaz. Os colaboradores de lares de idosos não podem ser enganados e não se pode omitir informação que se conhece e já apresenta evidência científica. Tem que saber da inevitabilidade da entrada da infecção nos lares e tem que ter consciência de que metade da população que hoje cuidam tem uma enorme possibilidade de não resistir e falecer. E saber que contra isso há pouco ou nada a fazer, sendo que a atenuação desta situação é possível. Desde o final do ultimo anoque se sabe, em alguns países, que morreram muitas pessoas idosas infectadas em lares de idosos. Terão sido mesmo as primeiras vítimas. É por isso impensável dizer-se que vai tudo correr bem, se calhar vamos ter sorte, o vírus não entra aqui e outras frases que se vão ouvindo. Sendo assim é preciso saber como podemos atenuar esta situação. Desde logo formar a equipa para ter cuidados rigorosos na entrada no lar, despindo toda a sua roupa e especialmente resguardando os sapatos, na área que habitualmente tem para o fazer ou encontrando um gabinete para o fazer. Vestir roupa do lar, diariamente lavada, proteger-se com uma máscara, um avental e uma touca, desinfectar, após lavagem rigorosa, as mãos. Tocar no menor número de superfícies que seja possível. Falar com os residentes e colegas a distancia considerada
segura e evitar manifestações de toque. Andar com um spray carregado de líquido desinfectante pode ser boa ideia. Quando não há pode misturar água com sal e vinagre ou mesmo lixivia. Não esquecer de identificar todas as embalagens com o nome do conteúdo. Deve informar-se que existem perigos no exterior que podem envolver os seus familiares, tanto eles a infectarem como a serem infectados pelo que todos os cuidados, mesmo parecendo exagerados, nunca são demais.

3. Os residentes. Os residentes habitualmente ficam alheios a estas situações mais graves, defendendo através de ignorarem aquilo que lhes pode fazer pior. Dai ser difícil passar a mensagem porque quando dizemos a alguns que podem morrer, encontramos respostas como isso é que era bom e nunca mais acontece. Assim não parece existir nada de especial a introduzir na rotina normal a não ser tentar mantê-los mais afastados uns dos outros, se existirem condições fazê-los permanecer no exterior o tempo possível, introduzir higiene oral com bochechos com desinfectante pelo menos duas vezes ao dia. Arranjar spray onde se pode colocar desinfectante oral para fazer várias vezes ao dia. Aumentar a ingestão de água, muita água. Toda a equipa tem que ter os mesmos procedimentos e levar estas actividades a sério. Uma das responsabilidades é acompanhar de perto todos os residentes e verificar qualquer sinal de alerta: a tosse, queixas de constipação ou gripe, dor no peito, febre e mesmo mau estar abdominal e diarreia. Qualquer destas situações deve ser de imediato comunicada ao Director técnico, sem hesitações. Podemos introduzir um copo de vitamina C solúvel às refeições ou pelo menos uma vez por dia e reforçar, reforçar muito a mobilidade.
É um esforço maior mas que pode vir a ter resultados muito gratificantes. Nestas alturas é que as equipas e as pessoas se distinguem e ganham uma dimensão profissional diferente. Muita atenção à utilização e passagem de mão em mão de telemóveis ou telefones. Após utilização deve ser de imediato desinfectado. Também os teclados dos computadores, puxadores de portas, marcações de ponto digitais, etc., devem ser considerados veículos de transmissão, pela que a lavagem de mãos após a sua utilização é obrigatória.

4. Acessos. Os acessos ao lar já estão determinados, sendo proibida a entrada às visitas. Contudo existem outras pessoas que têm acesso ao lar como os fornecedores. Nestes casos deve evitar-se a sua entrada no espaço interior do lar, receber mercadorias e, de imediato, desinfectar com qualquer liquido que exista e com algumas propriedade de desinfectante, todos os materiais que trouxerem, caixas, equipamentos, pacotes de fraldas. Nada pode entrar no lar sem essa desinfecção, nem que tenha que ser desembalado. Deve também introduzir-se uma folha para registar
todas as entradas e saídas do lar, mesmo dos funcionários, sempre que exista esse movimento. Tal tem a ver com a possibilidade de, em caso de acontecimento critico, podermos estabelecer o momento e o contacto com agente potencialmente infectado ou transmissor. Esse registo deve incluir a data e a hora. Podemos autorizar a entrada de pessoas externas pontualmente desde que sejam utilizadas todas as medidas de protecção individual: lavar mãos, colocar mascara e touca, bata se possível e não utilizar calçado da rua. Todo o equipamento deve ser passado com líquido desinfectante e evitar proximidade e toque a pessoas do interior.

Outros problemas irão surgir com o desenvolvimento da situação e, a cada um deles, devemos responder com todo o nosso conhecimento, empenho e experiencia.
Esperemos que tudo corra bem

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