Perfil de Valores dos Participantes 2019

Jul 18, 2019

VALORES HUMANOS

De acordo com Schwartz¹, os valores possuem uma estrutura hierárquica e expressam “metas motivacionais que se diferenciam, precisamente, pelas metas que expressam”. A tipologia de valores humanosusado no ESS, que tem como base o “Inventário de Valores Humanos” proposto pelo autor, contém 21 indicadores constitutivos de dez tipos de valores motivacionais básicos – «transituacionais» – agrupados em quatro valores de ordem mais elevada que se diferenciam entre si pals metas e interesses que perseguem.

 

VALORES DE REALIZAÇÃO PESSOAL

 

Representações sobre o Prestígio Pessoal, Satisfação com a Vida e Felicidade

 

 

 

 

 

 

Rui Brites 1

¹ Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

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A Felicidade dos Portugueses

Mar 22, 2019
Não é feliz quem quer, só quem quer e quem pode

 

Falar de felicidade, no seu sentido mais amplo, é falar de bem-estar subjectivo enquanto tradutor das respostas emocionais das pessoas em domínios como a satisfação com a vida, a saúde e as relações interpessoais, bem como as avaliações que fazem sobre a sociedade e a governação. Na sua essência, o bem-estar subjectivo é uma atitude que possui duas componentes básicas: afecto e cognição. A cognição refere-se aos aspectos racionais e intelectuais, o afecto às componentes emocionais. Ou seja, a nossa percepção sobre a felicidade é simultaneamente racional e emocional. Sobre o papel das emoções não me pronuncio aqui, pois não tenho “arte e engenho” para tal. A minha perspectiva é a sociológica, racional, portanto, dando resposta ao subtítulo do texto: quem pode ser feliz.

O relatório elaborado pela chamada “Comissão Stiglitz” nomeada pelo então presidente francês Sarkozy² considera que o nível de conforto com que vivemos, a saúde e a escolaridade são três das dimensões com grande impacto na percepção individual do grau de felicidade. O quadro seguinte, que compara Portugal com a nossa vizinha Espanha e a Noruega, considerado o país mais feliz do mundo segundo o último Relatório Mundial da Felicidade das Nações Unidas permite-nos perceber a relação entre as três dimensões e a percepção da felicidade.

Como podemos observar, a primeira nota a salientar é que mais dinheiro, mais escolaridade, excepto na Noruega e melhor saúde têm mais impacto na perceção da felicidade. Os cínicos dirão que vale mais ser rico e ter saúde do que ser pobre e doente. A felicidade é do domínio do ser: somos mais ou menos felizes; não do ter: estamos mais ou menos satisfeitos. Perceber a relação entre o ser e o ter é, assim, essencial quando pretendemos encontrar explicações para a percepção individual da felicidade. Na literatura abundam as referências a esta relação. Sempre que me perguntam se o dinheiro dá felicidade, a minha resposta é que não, o dinheiro não dá nada… compra quase tudo. Mas não compra a felicidade, pois a mesma é um processo incessante de busca individual, “compra” satisfação, que é preditora da felicidade. A relação entre dinheiro e a felicidade é complexa e não é linear. Sabe-se que mais dinheiro pode não ser sinónimo de mais felicidade – paradoxo de Easterlin – mas a evidência empírica mostra que a falta de dinheiro para viver com algum conforto, dá infelicidade. Como diz a sabedoria popular: em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

É nesta perspectiva que podemos perceber a relação entre escolaridade e felicidade. A relação não é directa, está associada ao facto de os mais escolarizados terem melhores empregos, melhores salários e mais oportunidades de mercado. Já a relação com a saúde tem que ser vista de outra forma, especialmente a partir dos 65 anos. Até aos 65 anos, cerca de 55% dos portugueses avaliam o seu estado de saúde como bom e muito bom, na Noruega são cerca de 80% e em Espanha 68%. Mas depois dos 65 anos, em Portugal são 21%, 67% na Noruega e 38% em Espanha. Ou seja, os portugueses avaliam sua saúde pior do que os noruegueses e os espanhóis. Não tenho uma explicação para isto, a não ser pensar que os portugueses são “piegas” como lhes chamou o então Primeiro-ministro Passos Coelho. Mas talvez a explicação resida no receio que os portugueses têm de que o dinheiro disponível não chega para fazer face às despesas com a saúde, que naturalmente, se agravam com a idade.

A principal conclusão que podem extrair destes dados é que os portugueses são mais pobres do que os espanhóis e os noruegueses e que isso tem reflexo na sua percepção da felicidade e da sua saúde. Também, como bem sabemos, os portugueses são mais resignados e, como observou Amartya Sen: “o rabugento homem rico poderá muito bem ser menos feliz do que o resignado camponês, mas a verdade é que tem um padrão de vida mais elevado do que ele”.

Publicado na Revista [Sem]Equívocos, nº 9

 

Rui Brites 1

¹ Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)
²Disponível em: https://ec.europa.eu/eurostat/documents/118025/118123/Fitoussi+Commission+report

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Retratos Gráficos dos Portugueses II – Confiança política

Nov 20, 2018

Continuação da série que intitulei “Retratos Gráficos dos Portugueses”.

As fontes são os dados de inquéritos vários, com destaque especial para o European Social Survey e Eurobarómetro. Os meus comentários serão minimalistas, pois deixo isso ao vosso cuidado.

Os vossos comentários são desejados.

Espero que gostem e vos sejam úteis.

Partilhem e comentem à vontade.

Estes 5 “retratos” mostram a “Confiança política dos portugueses com base nas respostas ao Inquérito Social Europeu, round 8, 2016, aos seguintes indicadores:

  • Confiança na Assembleia da República;
  • Confiança na Justiça;
  • Confiança na Polícia;
  • Confiança nos Políticos;
  • Confiança nos Partidos políticos.

 


 

Rui Brites 1

¹ Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

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Retratos Gráficos dos Portugueses

Nov 12, 2018

Inicio aqui uma série que intitulei “Retratos Gráficos dos Portugueses”.

As fontes são os dados de inquéritos vários, com destaque especial para o European Social Survey e Eurobarómetro. Os meus comentários serão minimalistas, pois deixo isso ao vosso cuidado.

Os vossos comentários são desejados.

Espero que gostem e vos sejam úteis.

Partilhem e comentem à vontade.

Os primeiros 3 “retratos” mostram como é que os portugueses se avaliam nas respostas ao Inquérito Social Europeu, round 8, 2016 relativamente aos seguintes tópicos:

. Confiança nos outros;
. Honestidade;
. Altruísmo.

Rui Brites 1

¹ Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

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As notícias sobre o fim da Família são manifestamente exageradas¹

Out 16, 2018

O que se segue depois da família? Muito simplesmente a família! Apenas diferente, mais e melhor: a família negociada, a família alternativa, família múltipla, novos arranjos depois do divórcio, recasamento, novo divórcio, novas combinações dos teus,meus ou nossos filhos, das nossas famílias passadas e presentes

Elizabeth Beck Gernsheim

Contrariando as teses sobre o fim da família, Anália Torres tem demonstrado nos seus estudos que os processos de transformação da família se constituem como importantes lugares de debate entre o público e o privado e se mantém bastante actuais. Como mostram os dados do Inquérito Social Europeu, entre diversos aspectos da vida em sociedade, a família é mesmo o mais valorizado na vida dos europeus, tanto por homens, como por mulheres:

Importância da Família, Amigos, Tempos livres, Política, Trabalho, Religião e Voluntariado, na vida dos europeus, por sexo (médias)

 

Escala: 0=nada importante; 10=extremamente importante
Mostrando a importância e a prevalência que as pessoas dão à família, estes resultados, que não surpreendem os sociólogos desta área, podem constituir alguma surpresa para um público mais vasto. Ecos persistentes da ideia de crise da família parecem, ao menos superficialmente, contradizer esta hierarquia de valores, que permanece ao longo das últimas duas décadas extremamente consistente, como vários inquéritos têm mostrado. Já a escolha dos amigos e do lazer para segundo e terceiro lugar é possível que constituam alguma novidade, pois relativiza e “desimportantiza” a religião, o trabalho voluntário e a política.
No conjunto dos sete aspectos considerados, verifica-se que são mais as semelhanças do que as diferenças entre homens e mulheres. Com efeito, a ordem de importância de cada um deles é a mesma até à quarta posição, surgindo a falta de consenso na religião, último lugar neles e quinto nelas, e na política, onde se verifica o inverso. Eis um resultado que também tende a contrariar o senso comum. Com efeito, é voz corrente que as mulheres valorizam muito mais do que os homens a família e que apostam muito menos do que eles no trabalho, e que em contrapartida os homens hierarquizariam estes aspectos da vida exactamente da maneira oposta: trabalho primeiro, família depois. Ora o que se passa é que a hierarquia é exactamente a mesma para os dois sexos.
Ainda de acordo com os dados do Inquérito Social Europeu, outro indicador da importância da família para os europeus, neste caso da família mais próxima, confirma estes resultados, com 85,7% dos inquiridos a concordarem que a família mais próxima deve ser a prioridade principal na vida das pessoas. Portugal (81,9%) regista valores inferiores à percentagem média. Saliente-se, ainda, que na sua esmagadora maioria, os europeus consideram que o tempo passado em família é agradável e pouco stressante, mais para elas do que para eles.
Ainda de acordo com os dados do Inquérito Social Europeu, outro indicador da importância da família para os europeus, neste caso da família mais próxima, confirma estes resultados, com 85,7% dos inquiridos a concordarem que a família mais próxima deve ser a prioridade principal na vida das pessoas. Portugal (81,9%) regista valores inferiores à percentagem média. Saliente-se, ainda, que na sua esmagadora maioria, os europeus consideram que o tempo passado em família é agradável e pouco stressante, mais para elas do que para eles.
No entanto, quando saímos do plano dos valores e nos centramos nas práticas, a realidade é bem diferente. Tanto na Europa como em Portugal, são as mulheres que gastam mais tempo em tarefas domésticas no dia-a-dia. Entre os que dizem que não gastam “nenhum tempo ou quase nenhum” com tarefas domésticas, os homens são cerca do dobro das mulheres na Europa e o triplo em Portugal. Ou seja, se no capítulo das tarefas domésticas as mulheres na Europa estão claramente sobrecarregadas em relação aos homens, em Portugal estão ainda mais. Dados do Eurobarómetro mostram que as mulheres gastam em média por semana cerca de 24 horas nas tarefas domésticas e a cuidar das crianças e da família, enquanto os homens gastam apenas cerca de 13 horas. O gap entre homens e mulheres é comum a todos os países e desfavorável às mulheres, significando, por conseguinte, que elas trabalham, em média, mais do que os homens em tarefas domésticas e cuidados familiares. A diferença média no conjunto dos países é de 10,7 horas. Portugal está entre os países com o gap mais elevado (13,5 horas). Como nota Anália Torres: “A discriminação e a sobrecarga feminina nos cuidados com os filhos e com a casa não é novidade, num país que remunerou sempre mais a função produtiva do que a reprodutiva”. Não surpreende assim que em todos os países europeus, sejam os homens que mais dizem estarem satisfeitos com a divisão das tarefas domésticas, 87,9% contra 71% de mulheres. É conhecida a célebre proclamação de Mao Tsé-Tung, de que “as mulheres sustentam a metade do céu”, interpretada como um grito pela igualdade de mulheres e homens, não obstante, no que se refere aos papéis familiares, especialmente na Europa do Sul, mais católica e conservadora, as mulheres “sustentam mais de metade do céu”. A desigualdade de papéis familiares é, aliás, produzida e reproduzida no seio da família. Às meninas oferecem-se brinquedos relacionados com os cuidados do lar – cozinhas, bonecas, etc. – e aos rapazes oferecem-se carrinhos bolas.

Rui Brites 2

¹Mais informação em Brites, R., Valores e felicidade no Século XXI: umretrato sociológico dos portugueses em comparação europeia, disponível em https://repositorio.iscte-iul.pt/handle/10071/2948, p.p. 161-171.
² Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

Publicado na Revista [Sem]Equívocos, nº7, Verão 2018


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Os portugueses gostam da “Geringonça”¹

Jul 17, 2018

Pessoalmente nunca gostei do termo “geringonça” com que a solução governativa foi cunhada de forma infeliz numa crónica de Vasco Pulido Valente. De acordo com o dicionário Priberam³, significa:
“Coisa ou construção improvisada ou com pouca solidez. = CARANGUEJOLA. Aparelho ou mecanismo de construção complexa. = ENGENHOCA. Confundir uma solução governativa legítima contemplada no quadro
constitucional com uma engenhoca,é má fé ou enviesamento ideológico.
Mas os portugueses gostaram manifestamente da solução, como mostram os dados disponibilizados pelo Inquérito Social Europeu⁴. A percepção dos portugueses sobre a sua felicidade, a satisfação com a vida e a satisfação com a forma como o Governo está a governar, atingiu em 2017 valores médios nunca antes registados.
Na satisfação com o Governo, Portugal foi o país europeu onde se registou o maior aumento entre 2014 e 2017, 3,01 e 5,02, respectivamente. Este aumento não tem paralelo com o que se passou entre 2002 e 2014, reflectindo estes valores, sem dúvida, a expectativa positiva com a mudança do governo, pois embora este survey tenha a data de 2016, em Portugal a recolha dos dados ocorreu entre o fim de 2016 e 2017. Ou seja, a opinião dos portugueses sobre a governação está consolidada.
Relativamente à satisfação com a vida e à felicidade, regista-se também um aumento estatisticamente significativo. A posição relativa de Portugal relativamente a estas duas dimensões do bem-estar subjectivo mantém-se relativamente estável desde 2002. Não admira, pois, a percepção do bem-estar subjectivo tem características estruturais e varia pouco ao longo do tempo. No entanto, é de sublinhar o aumento verificado. Note-se ainda que as respostas a questões deste género são muito influenciadas pela idiossincrasia do país. Por norma, os portugueses não respondem nas “pontas da escala”, são moderados nas respostas. Nem se sentem muito mal, nem muito bem, antes assim-assim.
Já a satisfação com o governo é uma dimensão conjuntural, que pode registar um aumento significativo em face de uma situação considerada extraordinária, como é o caso e nada garante que se mantenha se os portugueses se sentirem defraudados nas expectativas que depositaram na mudança de ciclo. Como se sabe, a oposição não ganha eleições, o governo é que as perde. Estes resultados, ao mesmo tempo que traduzem a aprovação da actual solução governativa, traduzem também, uma insatisfação profunda com a situação anterior.
Os quadros seguintes* evidenciam estes resultados:

Rui Brites²

¹Publicado no Diário As Beiras em 13/07/2018. http://www.asbeiras.pt/2018/07/os-portugueses-gostam-da-geringonca/
² Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)
³https://www.priberam.pt/dlpo/geringon%C3%A7a
http://www.europeansocialsurvey.org .Os dados respeitantes ao round 2016 foram recolhidos em Portugal entre o fim de 2016 e meados 2017.

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Os portugueses e a política

Jun 29, 2018

A mesa resplandecia; e as tapeçarias, representando massas de arvoredos, punham em redor como a sombra escura de um retiro silvestre onde, por um capricho, se
tivessem acendido candelabros de prata. Os vinhos saíam da frasqueira preciosa do Ramalhete. De todas as coisas da Terra e do Céu se grulhava com fantasia – menos de «política portuguesa», considerada conversa indecorosa entre pessoas de gosto

Eça de Queiroz (Os Maias)

O interesse pela política é um indicador que funciona como barómetro da preocupação dos cidadãos pela “coisa pública”. Os dados do Inquérito Social Europeu (ESS) 2002-2014, mostram que os portugueses são os europeus que mais dizem que não se interessam por política (38,4%), verificando-se no Algarve o desinteresse mais acentuado (67,6%). Mas, se o desinteresse pela política é um sintoma preocupante, as dificuldades em perceber a política, certamente, não o são menos, pois em concreto pode traduzir-se em tomadas decisão pouco informadas, de que é exemplo o acto de votar. As campanhas eleitorais têm como principal finalidade, como se sabe, convencer os indecisos. O anátema de que os candidatos mentem todos e, quando estão no poder não cumprem as promessas que fizeram, decorre da “impossibilidade” de o fazerem. Mente-se mais quando o público-alvo quer que lhe mintam. Ou seja, um candidato que diga a “verdade” não tem hipóteses de ser eleito, como bem tem demonstrado a ciência política. Advém daí a importância do marketing político que, a exemplo do marketing comercial, pretende “vender” um candidato, exaltando, para o efeito as suas pretensas qualidades, mas escamoteando os seus defeitos. Também neste caso, na Europa é em Portugal que se regista a percentagem mais elevada de inquiridos que dizem que a política lhes parece tão complicada que não percebem verdadeiramente, o que se está a passar (42,8%).
Outro indicador importante para perceber a relação dos cidadãos com a política é a resposta à questão: “De uma forma geral, qual o grau de dificuldade que sente em tomar uma posição acerca de questões políticas?”. Mais uma vez, Portugal regista a percentagem mais elevada dos que dizem que têm dificuldade em tomar uma posição política (52,3%).

É claro que esta relação dos portugueses com a política não pode deixar de produzir efeito na simpatia partidária e no voto. Como notou José Manuel Viegas, ao analisar a abstenção nas eleições legislativas de 2002, a simpatia partidária é um preditor importante e as variáveis com maior peso no acto de votar são: o “interesse pela política”, a “idade”, e a “simpatia partidária”. Os resultados do ESS confirmam aqueles resultados, pois entre os que têm simpatia por um partido apenas 10,7% dizem que não votaram nas últimas eleições nacionais, enquanto nos que não têm, aquele valor ascende a 31,8%.

É assim patente o distanciamento da política por parte dos portugueses. Este distanciamento, como se sabe, condiciona o exercício pleno da cidadania. Alguns autores têm chamado a atenção para o facto de constituir uma ideia adquirida de que a política está em crise, manifestando-se o desinteresse por esta de tal forma, que era possível falar numa tendência para a despolitização, cuja causa mais frequentemente avançada seria o “comportamento dos próprios actores políticos”, nomeadamente, os numerosos escândalos políticos que puseram em causa a sua credibilidade. É o que se pode inferir dos seguintes indicadores de confiança política que, em Portugal, registam os valores médios mais baixos:

Confiança política na Europa*

 

Em suma, os portugueses não se interessam por política, têm dificuldade em descodificar o discurso político e em tomarem decisões políticas. E votam! Como votam? É o que veremos em próximo artigo.

Fonte: European Social Survey 2002-2014 ( www.europeansocialsurvey.org)

Rui Brites 1

Publicado na Revista [Sem]Equívocos, nº6, Primavera 2018


1 Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

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