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A Felicidade depois dos 60 anos

Fev 2, 2016

“[…] I could be handy, mending a fuse/When your lights have gone/You can
knit a sweater by the fireside/Sunday mornings go for a ride/Doing the
garden, digging the weeds/Who could ask for more?/Will you still need me,
will you still feed me/When I’m sixty-four?”2

The Beatles (When I’m sixty-four?)

Sempre gostei muito desta canção dos Beatles e, quando a ouvi pela primeira vez, teria os meus 15 anos, pensei que seria muito velho quando tivesse 64 anos. Felizmente estava enganado, pois vou fazer 64 anos este ano e não me sinto nada velho. As coisas mudaram muito nos últimos 40 anos e os 64 de então não são os 64 de agora. Creio que se os Beatles escrevessem a canção agora, mudariam os 64 para 84 e quando eu fizer 84, direi que mudariam para os 94. Envelhecer sem ficar velho é um grande privilégio, só acessível aos que buscam a sua felicidade, independentemente da idade. Ser velho, é na sua essência, deixar de desejar e quem busca a felicidade, deseja sempre ser mais feliz.

Vem isto a propósito da minha última crónica, publicada em Dezembro, sobre “as curvas da felicidade”3, onde mostrava que o pico mínimo da felicidade ocorria entre os 51 e os 60 anos. Mas enquanto nos países escandinavos – mais felizes – e na Europa do norte e do centro, a felicidade aumentava até aos 70 anos, superando mesmo os valores dos mais novos, em Portugal mantinha-se praticamente estável até aos 60 anos e a partir daí descia abruptamente. Muita gente me contactou, então, para saber o que é que devia fazer depois dos 60 anos, para ser feliz. Como não gosto de emitir opiniões baseadas no que é que eu acho – como é apanágio de tantos comentadores da nossa praça – fui “perguntar” ao Inquérito Social Europeu como eram os portugueses mais felizes, com mais de 60 anos.

A primeira constatação é interessante e permite ser optimista. Com efeito, os dados mostram que a percepção da felicidade decresce com a idade, mas depois dos 60 anos, 44% dos portugueses ainda se consideram muito felizes4 e são estes, apenas estes, que me interessa conhecer melhor.

Felicidade em Portugal, por escalão etário.

FelicidadeEmPortugal

 Fonte: European Social Survey, – Portugal 2002-2012 (N=12 463)


Retrato sociológico dos portugueses mais felizes, com mais de 60 anos

A maioria é do sexo feminino (54,4%); vive na Região Norte (40,2%); é casada (76,7%); tem baixa escolaridade (73,2% têm apenas até 4 anos de escolaridade concluídos); está reformada (72,6%); e considera que o rendimento do agregado familiar “dá para viver” (53,7%).

Relativamente à religião, a maioria diz que é católico (96,9%), participa em serviços religiosos pelo menos pelo menos uma vez por semana (36%) e reza todos os dias (48,2%).

Em termos políticos, a maioria auto posiciona-se politicamente ao centro-direita/direita (42,6%), não se interessa por política (36,8%), vota (85,5%) e simpatiza com um partido político (64,3%). O PSD (46,8%) e o PS (41,1%) são os partidos com que mais simpatizam. Não confiam na Assembleia da República (57,1%), na Justiça (56,6%), nos Políticos (80%) e nos Partidos políticos (80,1%), mas confiam na Polícia (76%). Estão insatisfeitos com o Governo (766,3%) e com o estado da Economia (79,6%), mas estão satisfeitos com o funcionamento da Democracia (52,2%). Avaliam como mau o estado da Educação (50,3%) e dos Serviços de saúde (51,2%).

Consideram que o seu estado de saúde é razoável (50,7%) e 32,2% dizem que é bom. Estão satisfeitos com a sua vida (74,6%) e são optimistas relativamente ao futuro (62%).

Cabe agora ao leitor a comparação de si próprio com este “retrato” e tirar as devidas ilações. Eu já o fiz e, sinceramente, não me revejo minimamente nos traços dominantes aqui apresentados, embora sejam muito mais “simpáticos” do que os dos infelizes, de que tratarei em próxima crónica. Mas considero-me muito feliz. Ou seja, como diz o povo: não há regra sem excepção. Serei uma excepção e essa percepção contribui para a minha auto-estima e a minha felicidade.

Sejam felizes, busquem a vossa felicidade e não deixem de desejar.

Rui Brites 1

 

Publicada em 29-01-2016 | Diário as beiras – Opinião, pág 17

http://www.asbeiras.pt/Edicao_Diaria/diario.php?Link=5e790ba9f43160f14a6c8bb335a38995%2627409%26CLT0%26TMP10000909%2620160129


1 Sociólogo e professor universitário (rui.brites@outlook.com)

2 https://www.youtube.com/watch?v=vAzaOZfgf0M

http://www.asbeiras.pt/Edicao_Diaria/diario.php?Link=728c9d165930656105aeda48401eedb6%2624567%26CLT0%26TMP10000909%2620151228

4 Saliente-se que são cerca de 87% na Escandinávia e 80% na Europa do norte e do centro.

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Desafios na Gestão de Lares

Jan 19, 2016

É hora de mudar a intervenção dos diretores técnicos e gestores de lares de idosos. A qualidade inicia-se, não só, por uma alteração do comportamento e atitude mas também por uma maior reflexão e conhecimento sobre o envelhecimento.

Só assumindo as dificuldades, constrangimentos e incapacidades próprias conseguimos tornar-mo-nos melhores diretores técnicos, enfrentando novos desafios.


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Ana Rita Cavaco eleita Bastonária da Ordem dos Enfermeiros

Jan 9, 2016

A Associação Amigos da Grande Idade congratula-se com a eleição da Enfermeira Ana Rita Cavaco para bastonária da ordem dos Enfermeiros.

A Enfermeira Ana Rita Cavaco é uma amiga da Associação, acompanhando a sua atividade e tendo já participado em alguns eventos destacando-se o Congresso Nacional do Envelhecimento.

A associação que vai pedir de imediato uma audiência com a nova Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, acredita na sensibilidade da nova bastonária para as questões do envelhecimento, podendo abrir finalmente uma porta para que a enfermagem passe a olhar para esta área de uma forma diferente, preocupando-se também com a saúde das pessoas idosas e não só com as suas doenças. Defendemos há muito uma nova intervenção da enfermagem no envelhecimento, não só nos lares de idosos como também nos cuidados de saúde primários e noutras áreas onde a prevenção e a educação para um envelhecimento mais digno, saudável e funcional seja colocada em primeiro lugar.

É uma esperança nova já que a associação há muito deseja esta mudança de atitude por parte da enfermagem, não colocando o exercício da sua profissão em lares de idosos como um trabalho menor ou de menos competência profissional.

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Novas Propostas de Formação em 2016

Jan 9, 2016

A Associação Amigos da Grande Idade vai iniciar o ano com novas propostas de formação na linha das que tem mantido e que conseguiram um êxito significativo.

Entendemos que estamos na hora de reajustar a nossa formação a novas necessidades e desafios que tem surgido. Surge uma nova geração de clientes nos lares de idosos que criam novos problemas a resolver e surgem novas exigências não só decorrentes da legislação mas também do prioritário objetivo de garantir a sustentabilidade das entidades e instituições.

A Associação acredita que está na competência das direções técnicas o aumento das suas responsabilidades e não na introdução de novos técnicos na área da gestão.

As direções técnicas tem hoje que alargar a sua intervenção, dando resposta a várias áreas e não se deixar ficar pelas atribuições dadas por um decreto-lei estafado, ultrapassado e desadequado á realidade atual.

As instituições e entidades, sejam públicas, sociais ou privadas, esperam que as direções técnicas que contratam abranjam um conjunto de competências e exerçam lideranças que assegurem a tranquilidade das administrações, dos gerentes, dos provedores e dos presidentes.

Não é possível continuarmos no caminho da desculpabilização com “o não me deixam fazer” e o “não me dão autoridade”. A autoridade é ganha pela competência e pelos resultados que as direções técnicas vão conseguindo no exercício das suas funções.

As novas propostas de formação da Associação mantém a linguagem desconstrutiva, por vezes dura, que chama à realidade e não esconde as dificuldades e os problemas, preparando os técnicos para os enfrentarem.

As nossas formações 2016:

– CURSO DE GESTÃO ORGANIZACIONAL DE LARES DE IDOSOS E CASAS DE RESPOUSO

– WORKSHOP “DESAFIOS NA GESTÃO DE LARES”

 

 

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VIVA O PAPA… E A FAMILIA

Set 30, 2015

O Papa Francisco, como parece gostar de ser tratado, surpreendeu mais uma vez na intervenção de despedida da visita aos Estados Unidos da América com algumas declarações engraçadas a propósito da família. Encantou os presentes e o mundo referindo-se a Jesus que nunca foi casado, às sogras e aos problemas domésticos próprios das famílias.

Tudo isto para reforçar a importância da família na sociedade e no mundo.

Nunca falei com o Papa Francisco, nem nenhum elemento que conheça da Associação Amigos da Grande Idade, mas há dois anos defendemos, como hoje, que um dos principais fatores para o desenvolvimento social assenta na reconstrução da família tradicional, voltando a aprofundar as suas mais profundas solidariedades e os seus mais valiosos valores. Ficámos até surpreendidos numa declaração do mesmo Papa Francisco que pouco cautelosamente referiu que era no seio da família que existiam mais maus tratos e mais problemas com as pessoas idosas e as crianças. Declaração pouco cautelosa porque serve os interesses daqueles que dizendo que defendem a família vivem à custa da sua desintegração e da sua incapacidade de responder às necessidades de pessoas mais vulneráveis.

Na verdade tarda em que no nosso país se entenda que é direito fundamental das famílias poderem receber as comparticipações sociais do Estado e estas deixarem de depender da institucionalização em entidades que continuam a não ser avaliadas e cujos indicadores de desempenham deixam muito a desejar.

Se pensarmos na necessidade de valorizar, manter e aprofundar a família e as suas tradicionais relações, logo chegamos à conclusão que o modelo de comparticipação da segurança social é contra os direitos fundamentais e contra esse princípio da família. A comparticipação para uma pessoa idosa continua a ser dada exclusivamente à instituição social onde a pessoa é institucionalizada, continuando a perguntar qual a razão que existe para não a atribuir à pessoa diretamente ou perante a incapacidade da mesma ao seu representante legalmente constituído?

Acompanhemos o Papa Francisco nesta reflexão que coloca a família no topo da pirâmide do desenvolvimento social. Mas sejamos coerentes e dessa forma iniciemos uma defesa global da família que implica uma alteração substancial do modelo de financiamento social que temos.

Que todos entendam que o caminho correto é o apoio á família e não o apoio às instituições sociais.

 

Rui Fontes (rmsfontes@sapo.pt)

Coordenador de Lar de Idosos

Presidente da Associação Amigos da Grande Idade

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CHEQUE-FORMAÇÃO – UM PASSO SIGNIFICATIVO PARA A FORMAÇÃO

Set 30, 2015

A Associação Amigos da Grande Idade tem propostas ajustadas á nova medida do governo, conseguindo desenvolver planos de formação anuais com o custo de pouco mais de 20,00 € por cada pessoa que faça 36 horas de formação por ano.

A Portaria nº229/2015 de 3 de Agosto do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social em atirar uma pedra ao charco da Formação de Pessoas que trabalham em Equipamentos destinados a Pessoas Idosas.

Finalmente o Estado percebeu que o dinheiro para a Formação que recebemos deve ser gasto mais pragmaticamente, sendo os subsídios atribuídos às pessoas e entidades que respondam às verdadeiras necessidades e não continuem a fazer formação apenas para gastar esses subsídios.

Diz-se na Portaria que o “recurso ao cheque formação, facilita o acesso individual dos trabalhadores à formação”. Este cheque é atribuível a:

  • Entidades empregadoras:
  • Ativosempregados;
  • Desempregados inscritos na Rede de Centros de Emprego

O Cheque formação concorre para o cumprimento do previsto nos artigos 130.º a 134.º da Lei nº7/2009 de 12 de Fevereiro que aprova o código de trabalho. A concessão do Cheque é da responsabilidade do IEFP, I.P.

O Cheque formação comparticipa até 50 horas de formação em cada dois anos, estabelecendo o valor de hora limite em 4,0 €, montante que pode ir até aos 175,00 €. A comparticipação será sempre de 90% do valor total das ações de formação, comprovadamente pagas.

Com esta medida deixa de fazer sentido a justificação de falta de meios financeiros para a promoção de ações de formação e para o cumprimento da lei que exige 70 horas de formação a cada trabalhador em cada dois anos.

Espera-se que a partir de agora as inspeções da segurança social se preocupem tanto com a altura em que os extintores estão afixados à parede como com as horas de formação dadas comprovadamente por cada uma das entidades sejam privadas, públicas ou sociais.

 

Consulte aqui a Portaria nº229/2015 de 3 de Agosto do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social

 

 

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