Opinião

Nov 14, 2011 by

CUIDADOS ÀS PESSOAS COM MAIS DE 65 ANOS DE IDADE:

REFLEXÃO PARA UM FUTURO PROXIMO

 

A Associação Amigos da Grande Idade – Inovação e Desenvolvimento, tem ao longo dos últimos dois anos chamado à atenção nas suas Newsletter, nos simpósios, colóquios, encontros científicos e na formação (Curso de Gestão de Lares e Pós Graduação de unidades de cuidados destinadas a pessoas idosas) que tem realizado, para a insustentabilidade económica, financeira e demográfica em que Portugal tem vindo a cair ao longo da última década face aos cuidados às pessoas com mais de 65 anos de idade. É disso exemplo os vários documentos que tem vindo a editar de forma oficial, como é exemplo das “5 Medidas para um Envelhecimento de Futuro e com Futuro para Portugal”, disponibilizado em – http://www.associacaoamigosdagrandeidade.com/wp-content/uploads/5-medidas-para-o-futuro2.pdf tendo mesmo enviado de forma oficial para ser reportado no próximo plano Nacional de saúde 2011-2016.

TEM VINDO A ESGRIMIR UM CONJUNTO DE ARGUMENTOS SE NÃO VEJAMOS:

  1. O Factor Demográfico – Entre 2008 e 2060, as pessoas com mais de 65 anos de idade vão aumentar de 1.847.358 pessoas em 2008 para 3.480885 pessoas em 2060 (Eurostat, 2009, 2010). Se considerarmos apenas as pessoas com mais de 80 anos de idade o crescimento demográfico neste período é de cerca de 1.000.000 de pessoas. É insustentável o modelo recentemente criado de cuidados às pessoas com mais de 65 anos de idade, que tem vindo progressivamente a institucionalizar pessoas com mais de 65 anos de idade, a preços cerca de 4 vezes superiores aos actuais lares de Idosos e em 8 vezes nos cuidados domiciliários. Chegamos a perguntar publicamente, se o número de camas em cuidados continuados de longa duração iria aumentar ao mesmo número do envelhecimento demográfico?
  2. O Factor Económico - Se considerarmos os rácios de dependência económica observamos que no mesmo período temporal (2008 – 2060) iremos assistir ao aumento de cerca de 24% actualmente para 45% em 2050 (Yoon, 2009). Em nossa opinião, Portugal vai atravessar um período dramático de diminuição de recursos ao nível do sector produtivo, pelo efeito combinado do envelhecimento e do aumento dos níveis de dependência económica e consequente diminuição da força de trabalho (Healthcare Report, 2010).
  3. O Factor dos Anos de Vida com Saúde – das pessoas com mais de 65 anos de idade, onde existem especificidades próprias que a crescente institucionalização das pessoas com mais de 65 anos de idade, já descrita neste documento em nada vem ajudar no desenvolvimento de cuidados sustentáveis. Em Portugal, a esperança média de vida é de cerca de 79 anos de idade, muito semelhante à Espanha, Alemanha e Reino Unido, no entanto existe em Portugal um factor demolidor e referenciador de grande preocupação que é o facto de o número de anos absolutos que as pessoas com mais de 65 anos de idade vivem com saúde ser menos de metade por exemplo do Reino Unido, como podemos ver na seguinte tabela (Eurostat yearbook, 2010).
  4. Factor custo da saúde– Segundo o The Economist Intelligence Unit Limited 2009, Portugal: Healthcare report (2009) e Germany : Healthcare report (2009):
    1. Check-up de Rotina no Médico de Família custa em média em Portugal 185US$, na Alemanha custa 84.62US$, o que representa em Portugal um acréscimo de 118%, estando Portugal em termos de acessibilidade em 34º Lugar num total de 55 países avaliados e a Alemanha em 8º Lugar do ponto de vista deste indicador.
    2. Consulta no Dentista, um raio-X e um Tratamento Médio custa em média em Portugal 165US$, na Alemanha custa 154US$, o que representa em Portugal um acréscimo de 7%, estando Portugal em termos de acessibilidade em 27º Lugar num total de 55 países avaliados e a Alemanha em 9º Lugar do ponto de vista deste indicador.
    3. Raio X no Consultório ou Hospital custa em média em Portugal 107US$, na Alemanha custa 92.31US$, o que representa em Portugal um acréscimo de 15%, estando Portugal em termos de acessibilidade em 27º Lugar num total de 55 países avaliados e a Alemanha em 14º Lugar do ponto de vista deste indicador.

Em suma as pessoas com mais de 65 anos de idade em Portugal tê maior dificuldade no acesso aos cuidados de saúde, pois praticamos os actos mais caros da Europa.

PROPOSTAS DE FUTURO PARA PORTUGAL, COM OBJECTIVO NO DESENVOLVIMENTO DO ENVELHECIMENTO SUSTENTADO:

Como se pode perceber na nossa opinião andamos todos ao contrário em matéria de cuidados ao nível do envelhecimento em Portugal”, assim a AAGI-ID, propõe uma alteração profunda por exemplo ao nível das comparticipações em relação aos cuidados das pessoas com mais de 65 anos de idades. Temos em Portugal um sistema de apoio ao envelhecimento que leva à institucionalização progressiva das pessoas. No nosso país os sistemas comparticipam mais para mantermos as pessoas em unidades de cuidados de pequena, média e longa duração da Rede Nacional de Cuidados Continuados, do que comparticipam os cuidados domiciliários, ou os lares de idosos. Em pouco mais de quatro décadas vamos ter mais 1.000.000 pessoas com mais de 80 anos de idade, e se cruzarmos este dado com os anos em que as pessoas com mais de 65 anos de idade necessitam de cuidados de saúde em Portugal. Neste sentido propomos uma alteração profunda e esta passa pela alteração do modelo de comparticipação de cuidados e serviços às pessoas idosas com atribuição directa às famílias e favorecendo a comparticipação dos cuidados domiciliários em relação aos cuidados institucionalizados.

Para esta revolução é necessário um novo modelo de acompanhamento com foco nos Centros de Saúde, que terão de assumir a porta de entrada das pessoas com mais de 65 anos de idades, com um modelo novo de monitorização da funcionalidade, em que as organizações prestadoras têm de ser financiadas com base em indicadores como: a diminuição ao Recursos às urgências hospitalares e diminuição do número de dias de internamento; Diminuição das taxas de mortalidade; aumento da Função sensorial; aumento da participação da família; diminuição da presença de cateteres urinários, incontinência; aumento das actividades de vida diárias, diminuição de utentes imobilizados e acamados; Uso controlado de fármacos; Nutrição; Controlo de infecção (pneumonias, infecções urinárias); Prevalência do número de úlceras por pressão; Controlo da dor; Prevalência de quedas.

Para tudo isto é necessária a introdução de novos modelos de financiamento, devidamente legislados, que incluam hipotecas inversas, seguros de dependência/vitalícios, fundos financeiros, etc., em paralelo com legislação adequada sobre representação jurídica das pessoas idosas. No sentido de se conferirem às pessoas com mais de 65 anos de idade um conjunto de instrumentos legais que as ajudem a decidir e gerir os patrimónios, como forma de lhes conceder maior dignidade e qualidade de vida.

A Associação Amigos da Grande Idade faz e fará o seu papel de influência de decisores políticos, agente de opinião e a sociedade civil em geral, cumprimos o nosso papel de ajudarmos a cuidar do envelhecimento em Portugal, como forma de melhor qualidade de vida das pessoas com mais de 65 anos de idade. Fazemos proposta com base no conhecimento científico e com a sua estruturação à realidade Portuguesa. Fica o nosso Contributo!