Auxiliares de Acção Médica
A Formação de auxiliares que desempenham funções em Lares de Idosos raramente passa de um conjunto de aprendizagens feitas na prática por necessidade e engenho dessas pessoas.
Mesmo sabendo que são as auxiliares as principais prestadoras de cuidados nos Lares de Idosos – onde os técnicos de formação mais qualificada e especifica, raramente permanecem – não se tem olhado com a devida importância, para esse imenso grupo profissional.
Por outro lado, a mão-de-obra barata e pouco qualificada continua a ser a grande base de recrutamento para o desempenho da função de auxiliar. A legislação é extraordinariamente insuficiente para determinar a qualidade dos prestadores de cuidados nos Lares de Idosos, reduzindo todos os critérios de selecção deste pessoal à exigência da habilitação literária mínima obrigatória. Ora sabe-se que mesmo sobre este critério não existe, na maioria dos equipamentos sociais, cumprimento e não existe também a devida exigência e controlo por parte do organismo que deveria verificar essa condição: os centros regionais de segurança social.
Há ainda uma panóplia de designações para o pessoal auxiliar nos Lares: ajudantes de lar, auxiliares de geriatria, ajudantes de apoio domiciliários, ajudantes familiares, auxiliares de acção médica, etc., não distinguindo funções nem atribuições, não sendo raro encontrar profissionais destes a prestarem cuidados de higiene a residentes de lar e logo a seguir tratarem das limpezas do chão, ou da confecção de alimentação ou ainda dos serviços da lavandaria.
Uma das grandes preocupações com a qualidade dos Lares passa certamente por este grupo profissional, altamente descriminado, explorado e nunca reconhecido como actor principal deste filme.
As poucas acções de formação são feitas não em função dos auxiliares mas em função dos subsídios atribuídos com conteúdos de formação completamente desadequados e desadaptados das necessidades reais. Carregam habitualmente ensinamentos teóricos académicos que por vezes nem em atenção têm à falta de habilitações académicas dos destinatários. Não são atractivas pelos temas, fazendo com que a participação, quando não obrigatória, seja quase inexistente. A isto acresce a habitual indisponibilidade para atribuir horas de formação por parte dos responsáveis dos lares por considerarem as mesmas um desperdicio (às vezes com razão).
É neste contexto que pretendemos intervir dotando este grupo profissional de maiores conhecimentos que sejam unanimemente julgados como necessários e fundamentais para o trabalho atribuído aos auxiliares.
Contudo pensamos que é necessário um novo modelo de formação, adaptado às necessidades reais não só dos formandos como também das direcções e administrações dos equipamentos sociais.
As dificuldades de sustentabilidade económica destes equipamentos são evidentes e daí ser difícil a dispensa de trabalhadores ou o pagamento de horas de compensação para formação. A formação deverá ser feita em curtas sessões, no final dos turnos, requerendo algum tempo ao formando e algum tempo à Instituição. São os formadores e a formação que se deve adaptar ao funcionamento das organizações e não o contrário. È nesta realidade que vivemos e que devemos actuar.
Devem também criar-se programas de formação anuais, cuja frequência das acções seja, pelo menos mensal, com o objectivo de habituar as pessoas e as organizações, fazendo com que a formação seja vista como uma actividade regular.
Este é um objectivo da Associação.









